Brincando, brincando.

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Pura pressão do homem moderno, que chega a ser comédia. Se você pudesse chutar o pau da barraca [já que tem tanta grana no banco], você faria, eu faria, todo mundo. O que interessa é ser feliz, dizem as frases pessoais no orkut. É nessa que tem tanta gente concorrendo a ficar trancado no BBB sendo filmado lavando o cu, pra ter dinheiro no bolso e disponibilidade pra mandar qualquer um se fuder.

13 Beloved (13 Game Sayawng) é isso mesmo, a frustração da vida moderna e a necessidade urgente de dinheiro no bolso. De uma forma que chega mesmo a ser comédia. E o filme brinca com muita coisa, o roteiro reúne Um Dia de Fúria com Jogos Mortais e um toque de Duro de Matar, e tem um resultado violento, divertido e até inesquecível.

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O personagem principal tá puramente na merda no início do filme, devendo o olho da cara, prestes a ser despedido e o caralho a quatro. A namorada o largou por um produtor musical e a família nem sabe disso, assim como não sabe de sua falência e a mãe  até pede dinheiro emprestado super à vontade, crente que o filho é o bambambam do pedaço.

Mas a situação vira de cabeça pra baixo quando o cara começa a receber telefonemas indicando 13 trabalhos que devem ser completados enquanto a soma irá crescendo em sua conta bancária a cada trabalho resolvido. Perante a chance de fazer dinheiro fácil, em uma situação degradante [A Tailândia é tipo um Brasil na Ásia, daí o termo degradante], nada parece errado, tudo fica pequeno perante o dinheiro. Morte, comer cocô, espancar alguém, roubar pirulito de criança. Tudo vira brincadeira. E dá pra rir. Mas o personagem é um anti-herói asiático, e o filme discute os valores modernos com maestria. Os 13 trabalhos seguem uma escala gradativa de desumanização que é requisito para a sobrevivência no ambiente moderno, que, cômicamente  inicia com o simples ato de “matar uma mosca”. Pra observar essas nuances, é preciso se desvencilhar da fantasia retratada pelo “jogo” e o final “de torcer o nariz” que revela o que não precisava, assim como em Suicide Club, outra produção oriental tão importante para a reflexão quanto complementar dentro da mesma área. Por outro lado, o resultado do 13º trabalho é a pontada final que marca a imagem de uma sociedade necessitada e pautada em valores monetários.

Tão engraçado quanto, brincando assim levemente com o espectador ao lidar com assuntos não tão leves, é Surveillance, de Jennifer Lynch [filha do louco].

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O cenário deserto dá o tom seco que perpassa o filme, pautado pela impessoalidade de interrogatórios e câmeras de vigilância. O centro, circundado pelas histórias dos vários personagens em torno do mesmo acontecimento, de forma que a diretora passeia de forma coordenada e fragmentada [fragmentação do eu? sim, tem a ver].

Bill Pullman mata a pau neste aqui. É coisa linda ver uma atuação tão boa que lembra a do mesmo Bill em Lost Highway, não da Jennifer, do David. Destaque pra uma sequência de acidente que se constrói e se faz grande no espectador de uma forma psicológica, apesar do notável baixo custo da produção.

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Inegável também a presença de Julia Ormond, a cuja performance prestarei mais atenção a partir de hoje. E eu que pensava que ela era só uma encheção de casting em Benjamin Button. Quero ver em Inland Empire, que deve ser uma loucura de dar água na boca [sim, me arrependo de não ter visto até hoje]. Mal que ela nem tem um corpo mais recheado, senão algumas sequências de Surveillance [mesmo leves e sem nudez] seriam de “matar o véio”.

Destaque também pra trilha de Todd Bryanton [completamente unknown], bem realizada, sóbria, assim como a frieza que o filme passa. Um dos detalhes ruins é, certamente, a abertura, da qual só posso dizer uma coisa: Direct to DVD. Mas não se enganem e fiquem pelos créditos iniciais, pois só Pullman e Ormond neste filme já tornam a viagem interessante, e contando com o resto, vale a tarde com guaraná e Ruffles churrasco.

Saul Mendez para o Gore Bahia, 07/05/2009

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4 Comentários

  1. Tão engraçado quanto, brincando assim levemente com o espectador ao lidar com assuntos não tão leves, é Surveillance, de Jennifer Lynch [filha do louco].

    aeuhaeuhea

    falando nele, tô com twin peaks, a serie – e o filme também, mas só quero revê-lo depois da serie.

    com relação a jennifer, tem algum filme dela (aliás, fui conferir no imdb e é esse mesmo) que já li muita coisa boa mesmo. achou em qualidade decente? (falta dela fez eu desistir de ver lost highway… :/)

    e, bem, eu tenho medo desses (seus) asiáticos. ^^

    [volta quando?]

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  2. ps: serie ficou sem acento igual a ideia?

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  3. Julia Ormond na verdade tá na ativa há anos. Ela começou como uma resposta de Hollywood a Juliette Binoche, akaka, fez filmes água com açucar como Sabrina e Lendas da Paixão, além de uma pérola noventista, o Mistério na Neve, que era uma mistura de Bergman com Arquivo X – tinha e.t. e as porra, já viu esse?Mutcho Loko. Depois ela sumiu e só fez merdinha, como aquele lixo da Lindsay Lohan, algm me matoue arrancou o meu braço, algo assim. Finalmente ela se tocou e tá fazendo uns filmes melhores.

    Bom, filme da mesma diretora de Encaixotando Helena, hum….

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  4. eu amo cinema, tanto que eu trampo até numa locadora. ha. adorei encontrar este site, vai ser de muita valia para mim. suas criticas são otimas e seu vocabulario quase sempre sofisticado são o melhor.

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