Sem palavras.

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Eden Lake é um caos humano, sem palavras. De um lado os jovens mal-educados e de outro um playboy cosmopolita e uma professora de primário. A paternidade irresponsável e o futuro da sociedade com base na criação desses jovens violentos e criados com extrema liberdade são pano de fundo para a história que sucede de forma trágica, meio que com uma liçãozinha de moral. Mas nada que afete a montanha-russa de suspense que rola solta. E diga-se de passagem, com uma sangueira incrível. Não falta gore, não falta violência, tudo é bem dosado. Não tenho reclamações, exceto que o roteiro vai seguindo com aquela sensação de iminência de uma forma que deixa a gente agoniado – o que não é bem uma reclamação, e sim um elogio. Mesmo suavemente raso e rápido, os personagens são bem demarcados sem a necessidade de algo caricatural (síndrome de Guy Ritchie), e nunca é bem definido quem é completamente bonzinho e quem é completamente malvado. Mesmo o final, com ar de vilanismo extremo, encerra com um toque reflexivo que indica o problema em seu cerne, um mal que é decorrente de vícios sociais na relação conturbada ou inexistente entre pais e filhos, assim como na educação falha e no descontrole que é o mundo em si. Um caos.

Resultado desses mesmos vícios, mas com um tipo de agressividade menos física do que financeiramente prepotente, o playboy cosmopolita que supostamente é o “bom rapaz” da história não consegue uma reação menos enojante do espectador. Ao longo da história ele esbanja sua sabedoria, inteligência, seu bom linguajar, bom sexo, bom equipamento de mergulho, boa roupa, corpo sarado, bom carro, bom GPS, bom relógio, bom óculos, com cartão de crédito. E a agressividade territorial do lugar de preponderância dos “bons” é marcante no conflito que vai ocorrendo. A partir disso, fica difícil saber quem tem razão e quem não tem. Pra quem fala demais, esbanja demais, nada como uma estiletada onde se merece.

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A personagem feminina, professora de primário, é preocupada com os rumos da sociedade de uma forma muito mais equilibrada e, claro, é a verdadeira protagonista que irá enfrentar realmente os problemas de uma falta-de-educação-na-hora-certa (que coincidência). Ela é a mais indicada pra virar os rapazes de bundinha pra cima e dar umas palmadas. Mas pra isso ela enfrenta algumas pedras no caminho, umas bem pontudas por sinal (ótima cena do all-star) e talvez tenha que ultrapassar os simples tapas na bunda e exagerar na dose com os pestinhas.

Legal ver que a filmagem de celular é um dos aspectos fundamentais pra que a história ocorra, justamente pela qualidade documental que os arquivos de vídeo digital começam a adquirir. E todo mundo tem medo de ser filmado fazendo coisa errada, né? Pena que tenha sido usada pra documentar a sangueira toda, já que naquele matagal podia rolar é uma boa sacanagem. Eu ia querer ver esses arquivos depois. E poderia até dizer que faltou um pouco disso no filme, mas naaahh… ele me assustou bastante bem do jeito que ele é, não precisa mexer em time que tá ganhando.

Saul Mendez para o Gore Bahia 21/05/2009

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1 Comentário

  1. […] Watkins de Sem Saída (Eden Lake, 2008), A Mulher de Preto (The Woman in Black, 2012) e Abismo do Medo 2 (The Descent part 2, 2009), […]

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