Last Post on Earth

Atrasado, mas postando, irregular, mas vivo. Dead/Undead. O que assisti no gênero (ou fora dele)? pouca coisa ou nada. Tem um Rise of Leslie Vernom me esperando mas ainda não tive tempo. Esse é todo o mal de ser um futuro-possível mestre, ao invés de me contentar com a graduação.

Ainda assim, dois momentos de paz me reservaram boas sessões: O Segredo do Abismo (versão extendida) e The Last Man on Earth, sobre o qual postarei, como sempre uma imagem:

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Clássico né? É o Vincent, claro.

O Segredo do Abismo me deixou acordado por 3 horas ou mais (é muito longo mesmo, na TV sempre passavam retalhadíssimo, eu nunca tinha visto em DVD), mas realmente não foi cansativo. Prova de que Cameron é fodão. Melhor cena, claro é a sequência da busca por sobreviventes no submarino do exército. É uma experiência com câmera subjetiva das mais belas e claustrofóbicas. Fora isso, é um filme irregular, um sem-gênero que passeia por suspense, contatos do terceiro grau, aventura submarina e com uma lição de moral. Mas bem executado.

Last Man on Earth é um marco de todos os filmes com Price que já vi, fora que matou de vez aquela merda do Will Smith que permeava pela minha cabeça quando eu lembrava que I Am Legend tinha sido um revolucionário da literatura horror-sci-fi, mestre na mistura dos dois gêneros, mas via na tela do computador um AVI com CGI desgraçado hollywoodiano.

Primeiro que no ritmo e na construção do Last Man percebe-se claramente que a história do livro está sendo retratada de uma forma mais fiel; o início do I Am Legend com Will Smith já é por si só falsário. O que é aquilo mesmo? um Mustang vermelho, um Porsche, sei lá. Mas aquilo já tira, pra mim, a veracidade toda. Não que tenha muita veracidade em um vírus que transforma os seres humanos em um misto de zumbis e sanguessugas, mas, tudo bem até aí. Pensar em um futuro sombrio de uma forma estéticamente linda e cheia de tecnologia? exagerado, ridículo. Gostei muito (pra comparar um filme moderno com uma sequência semelhante) da parte final de Ensaio Sobre a Cegueira. As sequências na cidade desolada, aquilo foi uma boa homenagem a uma espécie de caos que Romero soube retratar bem, lá nos anos 80.

E o tal CGI?? que merda é aquela?? Tudo bem, não sou contra… mas um virus que inibe a consciência das pessoas e cria uma fome por hemoglobina, não faz ninguem ficar mais forte, mais esperto e, principalmente, não faz ninguem conseguir gritar arreganhando a boca além do limite de possibilidade do sistema de movimentação do queixo… isso, quem faz, é só o homem elástico do quarteto fantástico, então, I Am Legend deveria estar na coleção dos filmes da Marvel.

Isto, sim, é um filme:

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(Tragédia é eu não conseguir ter tempo pra assistir todos os outros 49 filmes desse box de horror que comprei na amazon.com).

Vincent Price, como de costume, dá um show de interpretação teatral shakespeariana. Ele é o cara. E dessa vez, é o ÚNICO cara. Não tem vampiro pra competir, não tem nada nem ninguem, na verdade. O filme não fica somente na desertificação e solidão do futuro, mas utiliza o clássico flashback (um longo flashback) pra contar tudo que rolou antes, e nos dar nuances da vida do personagem que fazem uma enorme diferença. Will Smith, lá em seu outro filme, só sabe fazer aquelas caras de choro dele, e a gente mal consegue sentir pena, porque ele é cheio de parafernália, tem um carrão, e a gente não chega a vislumbrar a vida que ele tinha antes, mesmo. O diretor tenta, mas daquele jeito super vazio que eles tentam hoje em dia.

O melhor de tudo é que a gente consegue perceber tanto o lado científico que a obra abrange, como também processos sociais desencadeados pela doença (bem no estilo Romero) e posteriormente “the horror, the horror!” na sua forma clássica, onde os vampiros sentem aversão à sua imagem no espelho, a alho, e morrem na base da estocada no coração.

O final, pra melhorar, não faz do personagem um herói-mártir, a não ser para o espectador. A obra não quer ser piegas, não quer ser fantasiosa demais, ela quer ter os pés no chão e tem lá sua visão pessimista da sociedade moderna. Gosto disso. Filme que me fez querer ver uma segunda sessão, nuances de cinematografia e estética muito legais, best of 60’s, um roteiro muito bom e perceptivelmente respeitoso à fonte original, e, quem? Vincent Price. Quer mais um motivo pra renegar a versão atual de I Am Legend? olha isso aqui:

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Já pensou se isso realmente fosse o último homem na face da terra? não posso negar, seria um terror. Mas eu prefiro ver e rever Last Man on Earth.

Saul Mendez para o Gore Bahia, 19/07/2009

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3 Comentários

  1. Texto sensacional. Dia desses cliquei num link do justi.tv que vc colocou no twitter, e tava passando justamente o I AM LEGEND. Quis arremessar o meu monitor na sua cara, rs. IAL é um lixo, e só vale pela primeira cena, com a grande Emma Thompson. Will Smith, até gosto dele, com boa vontade, mas aqui realmente não dá. Que efeitos são aqueles? Os 100 mi do orçamento foram todos pro rabo do Smith? Que roteiro é aquele? Que final sem noção é aquele? Como se não bastasse, ainda desperdiçam a Alice Braga num papel boboca, brasileiro não dá sorte nem quando chega lá….

    Price é ídolo. Puxo a cordinha para ele. Bela também puxaria. Fala sério que vc tem The Last Man On Earth em dvd. Me empreste, seu escroto.

    Jim Cameron é outro ídolo. Mesmo numa obra irregular como Abyss ele arregaça. Também nunca vi em dvd, preciso disso.

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  2. “Já pensou se isso realmente fosse o último homem na face da terra? “. Me mijo, kkkkk

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  3. Ah, rapá, também curti Blindness. Mas quando você o compara a Romero, acredite, foi tudo acidental. Simplesmente Fernando Meirelles declarou em entrevista a Kleber Mendonça Filho, em Cannes (depois procuro o link e te passo. Ou vá no Google) que NUNCA VIU os filmes de Romero, e uma comparação entre Blindness e a saga dos zumbis seria fruto de uma uma coincidência. E pelo tom da entrevista,ele parece não ter gostado muito de associar o seu filme a este tipo de obra, e que só comprova que Meirelles é pose pura. LOUCO. Tenho ingige dele, rs. Mas se ele quiser me contratar para a produtora dele, retiro tudo o que disse, kkk.

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Muito antes de Jason Vorhees, o dia já causava tensão. Seu nome vem da deusa nórdica da fertilidade, Frigga, cujo culto foi considerado paganismo pelos cristãos. Diz-se que Frigga se reunia com mais onze mulheres para adorar ao diabo, décimo terceiro integrante do conciliábulo. Desde então, o dia de Frigga/Friday/Sexta foi assim nomeado no calendário como o dia das "bruxas". Ainda para os nórdicos, consta que Loki, num banquete em Valhalla, chegou em meio aos doze presentes (sem ter sido convidado) com o plano de matar Baldur, o preferido da galera. Qualquer semelhança com Judas Iscariotes, décimo terceiro em meio aos seus onze colegas apóstolos e Jesus de Nazaré, é mera coincidência.

Antropofagia cultural ou não, tomem muito cuidado com a Parascavedecatriafobia e bom happy hour a todos do GoreBahia!! Arte: Blair Sayer (www.shirtoid.com)

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