Lamiaaaa

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O demônio Lamia anda atormentando muita gente mundo afora. Eu não podia perder essa bagaça, e baixei logo filmado do cinema, naquela clássica versão CAM tosca, mas consegui – assisti de primeira mão essa coisa linda que é o filme do Sam Raimi. Que retorno ao gênero! Não é bem um filme perfeito ou incrivel, mas certamente é memorável. Assim como Evil Dead marca sua presença na memória depois de muitos anos que passam desde a primeira vez que a gente assiste, Drag me to Hell funciona de forma semelhante. Vai ficar marcado na lembrança, vai dar vontade de reassistir! O filme é bom por si só, é um presente pros fãs do gênero. Tem gente babando coisas grudentas, espirrando litros de sangue pelo nariz, olhos voando. Ainda tem um ritual do demo com um bodinho falante. E a comédia – aaaahh o belo humor negro que me toca o coração. Melhor final ever (não farei o spoiler, não mandarei ninguem reler o título do filme)…

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“Dar risada” é uma das melhores coisas que a gente pode esperar de um bom filme de horror. Desde as trasheiras sci-fi dos anos 50, passando pelo sotaque engraçado de Bela Lugosi, das peripécias de Vincent Price a pérolas realmente voltadas pra veia cômica. Um Lobisomem Americano em Londres, de John Landis, é um exemplo inteligente, uma peça e tanto dentro do gênero, pois fica entre a risada nervosa e o susto bem colocado em meio a uma clássica história de horror. As piadas são tão “Ethan e Joel Coen” que só podia ser um filme puramente americano. Mas Evil Dead e suas sequências marcaram ainda mais, e foi bom assistir Drag Me To Hell e conseguir vivenciar de novo a experiência de um bom horror engraçado realizado pela mente e pelas mãos de Sam Raimi.

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Dentre outros tantos que poderiam nos fazer chorar de rir, os que se assumem como misto de comédia e horror são comumente os mais bem-sucedidos e bem aventurados. Um Tom Holland inspirado trouxe nos anos 80 não só o nosso amigo Chucky em O Brinquedo Assassino, como também fez um clássico não tão icônico porém mais um cult imortal oitentista com Fright Night (A Hora do Espanto – adoro traduções de títulos. Por que motivo não traduzir corretamente como A Noite do Espanto?). A história de um moleque tão viciado em filmes de horror que larga de comer a namorada pra ficar vigiando com binóculos a mudança do novo vizinho gay que dorme em um caixão e não costuma sair de dia. Juntando a isso, um apresentador fajuto de TV e velho ator de filmes de vampiros é jogado na receita pra fazer dessa odisséia repleta de techno-pop um dos clássicos da infância de muita gente. E mesmo sendo mainstream, não deixava de ser repleto de podreiras, gente derretendo, uma massa disforme meio-homem-meio-lobo atravessada por um pedaço de escada, coisas assim. É seguindo essa vibe que Drag Me To Hell é, ao meu ver, bonzão. Consegue ser moderno, atingir o público como um todo e ao mesmo tempo sem precisar ser “implícito”. Nos anos 80 era fácil – inclusive o clipe mais famoso e “tocado” era Thriller, do finado Michael ‘monstro’ Jackson, um clipe de nove minutos cheio de zumbis, filmado pelo próprio John Landis, com uma transformação encomendada pra ser no estilo da sequência de Um Lobisomem Americano em Londres. Porém um pouco mais humorístico, afinal, é Michael Jackson. E ele não vira um homem-lobo, mas algo tipo um gato, com aqueles bigodinhos que o tio do Jerry arranca do Tom pra tocar cavaco (vide Tom e Jerry no SBT).

Entre os modernos, não preciso relembrar a existência de BRAIN DEAD, ou Fome Animal, que dispensa comentários. Quem não viu ainda, tem que ver obrigatóriamente. O rato-macaco de massinha que lança a maldição do “Sengaia” pra todo lado foi o primeiro efeito especial criado pro cinema pela mesma galera que depois fez os efeitos de O Senhor dos Anéis. E se trata aqui do diretor Peter Jackson – outro que poderia voltar às origens e nos presentear.

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No ritmo de downloads recorrentes (pra quem sofre com tão poucos lançamentos e péssimas locadoras em uma cidade interiorana da Bahia, antes correr o risco de ser preso do que ficar sem ver bons filmes – e viva, portanto, a priataria) Novidades como Lesbian Vampire Killers, e o já não-tão-novo Fido, são por vezes legais e por vezes dispensáveis. o LVK é completamente dispensável, passa tão rápido que nem dá pra ser feliz. Mas vale por ser um filme com esse título, e é divertido sim. Já o Fido é uma obra de arte e um dos melhores filmes com zumbis que tenho visto em muito tempo. Quem acha Extermínio um grande marco, desculpem, mas Fido é bem mais inteligente e merece muito um posto de importância na galeria dos filmes de mortos-vivos (TAMBÉM, afinal Extermínio é legal mesmo). A sequência em que o pai oferece ao filho a sua primeira pistola pra atirar em zumbis é uma bela alusão aos rituais entre gerações. E isso é só um ‘snack’ de tudo que o filme oferece. Canadenses, sempre fazendo filmes legais. Cronenberg já dizia ser superior aos americanos simplesmente por ter nascido mais ao norte, e estava certo.

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Do outro lado deste continente, na Inglaterra, pra ser mais preciso, surgiu Shaun Of Dead, um dos melhores quando se trata desse mix que eu venho falando, assim como da “galeria de filmes de mortos-vivos”. Os ingleses também sabem surpreender, com sua veia única pra comédia que faz rir-sem-gargalhar, bem ao estilo canadense – ou poderia melhor dizer que, na verdade, o estilo canadense é bem inglês (alguém assistia Kids in the Hall?). Depois disso, adquirimos mais um ícone da veia cômica no horror fantástico com Simon Pegg. Antes, temos um ícone maior ainda – BRUCE CAMPBELL – nada mais e nada menos que o cara que se lançou com Evil Dead. Dirigido por sam Raimi. Que nos presenteou este ano com Drag Me To Hell.

Legal fechar as coisas dessa forma circular né? isso é muito a cara de David Lynch em Lost Highway (fugindo de citar Tarantino mainstream pra citar meu preferido de Lynch). Mas agora como estou com vontade de ir cagar vou deixar todo mundo aí calculando essa minha soma toda de citações e percebendo o quanto rir da desgraça alheia é importante, afinal, essa é a lição que a gente tira disso tudo!!

Um bom domingo pra todo mundo que ainda não teve a chance de assitir Drag Me to Hell, nem sequer na versão CAM (mua ha ha)

Saul Mendez para o Gore Bahia (sei lá que dia é hoje).

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1 Comentário

  1. Eu vi o lamiaaaa no cinema, fui mais digno do que você!

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Muito antes de Jason Vorhees, o dia já causava tensão. Seu nome vem da deusa nórdica da fertilidade, Frigga, cujo culto foi considerado paganismo pelos cristãos. Diz-se que Frigga se reunia com mais onze mulheres para adorar ao diabo, décimo terceiro integrante do conciliábulo. Desde então, o dia de Frigga/Friday/Sexta foi assim nomeado no calendário como o dia das "bruxas". Ainda para os nórdicos, consta que Loki, num banquete em Valhalla, chegou em meio aos doze presentes (sem ter sido convidado) com o plano de matar Baldur, o preferido da galera. Qualquer semelhança com Judas Iscariotes, décimo terceiro em meio aos seus onze colegas apóstolos e Jesus de Nazaré, é mera coincidência.

Antropofagia cultural ou não, tomem muito cuidado com a Parascavedecatriafobia e bom happy hour a todos do GoreBahia!! Arte: Blair Sayer (www.shirtoid.com)

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