RKO Radio Pictures Inc, e a verdade que não quer calar.

JENNIFER'S BODY

pisoteada num show do Panic At The Disco!

Eu confiava que Jennifer’s Body ia ser um great flick mas na verdade Zombieland foi bem melhor. Começo logo dizendo assim, ao falar dos novos filmes. Não que JB seja ruim, simplesmente não valeu tanto a pena quanto Zombieland (mesmo este aqui não sendo um filme de terror, mas dizendo isto, nem posso dizer por completo que JB seja também, mas o roteiro é mais característico do gênero. Zombieland é comédia, e romântica). Mais abaixo eu recomendo um clássico, agora eu vou permitir a mim mesmo destrinchar um pouco destes dois filmes atuais.

JB tinha toda aquela expectativa por conta da Diablo Cody e da Megan Fox, ícones moderninhos do sucesso, depois que uma fez o roteiro elogiadíssimo de Juno e a outra, sei lá, simplesmente começou a ser a bunda mais apreciada do momento (melhor dizendo, os peitos. Nos EUA eles valorizam mais os peitos. Tenho um quê de Estado-unidense hoje em dia também). Mas o filme, apesar de funcionar bem como um radar da juventude destes idos de dois mil e tantos, fica em um lugar que eu chamo de “terreno de ninguém” – ele tem muitas características boas e ao mesmo tempo muitas características ruins; não é de um gênero, nem de outro, nem de outro, nem sequer é uma mistura muito bem definida; e nessa bagunça, o que eu achei foi a problemática na tentativa de agradar uns e outros. A direção não é falha, e o problema não está no roteiro. É que simplesmente, colocando na balança, o filme fica no meio termo mesmo. Se tivesse que existir uma prateleira onde se colocar o filme, sei lá, ele estaria entre Ginger Snaps, Amaldiçoados do Craven, e algum filme teen qualquer do final dos 90, que nem precisaria ser especificamente de “terror” (entre aspas) como Eu Sei o Que Vocês Fizeram… blablabla. Basta ser teen. E o filme consegue ser teen, mais teen impossível, e mais antenado com o teen atual, impossível também. Mas apesar disso, é inegável que tem cenas muito bem dirigidas, e muitas coisas do roteiro que são sacadas interessantes. Mas pra mim, o melhor mesmo foi uma blusinha que a Megan Fox usa com o logo de Evil Dead. Tem pra macho?

zombieland

Regra #1: Boa condição física.

Zombieland é uma alegria só! uma comédia, com toques de romantismo e heroismo, composta de míseros 80min, mostrando que filme fast-food é feito pra ser divertido e rápido, e que ainda assim pode ser criativo e reunir muitas características boas. Digamos que a pesquisa pro filme foi bem-feita. Ele é uma versão cômica da HQ perfeita The Walking Dead, que por sua vez é uma quadrinização realista do já non-sense Romero. O filme também lembra o livro Manual de Sobrevivência… já que o personagem principal cria um livrinho cheio de regras básicas, que acabam por tornar a situação toda mais cômica ainda. O ator tem a cara nerd de Superbad, contracena com a (lindinha) Emma Stone (de Superbad) e com o doidão Harrelson, nosso Natural Born Killer, que está atuando como o quê? um Natural Born Killer. O cara nasceu pra isso!! E por fim, o que parecia a meu ver que poderia dar errado, mesmo sendo engraçado, foi um ótimo filme com uma trilha bastante diversificada (até a música tema de Ghostbusters tá na soundtrack) mas que, depois de assistida a obra, faz todo o sentido; enquanto que JB, até a trilha, mesmo coerente, escorrega feio. Panic At The Disco? pelo amor de JC! Bota um For Whom The Bell Tolls na abertura que já é!! (falando em trilhas, atualmente a melhor, que eu indico que vale a busca no google por um rapidshare ativo, é a de Taking Woodstock – não é de um filme de horror, mas a trilha é exemplo de trilha bem planejada e 100% boa. Pra ouvir sem pular faixas!).

Então, foi assistindo o Harrelson em Zombieland que eu me lembrei do cara que caçava por prazer – o Zodíaco do filme homônimo baseado em fatos reais dirigido por David Fincher. Quando o principal suspeito Arthur Leigh Allen é interrogado pelo personagem de Mark Ruffalo e cia policial, tal qual o ocorrido na Califórnia do início dos anos 70, assume gostar bastante da short story publicada em 1924 por Richard Connel chamada The Most Dangerous Game, traduzida no Brasil como “O Esporte Mais Perigoso”. Logo os policiais se lembram da primeira mensagem criptografada pelo Zodíaco (a única decodificada até hoje) onde ele diz que o que ele faz é the most dangerous game… no conto, um náufrago aficcionado pela caça acaba sendo caçado por um aficcionado um tanto mais perverso, que em sua ilha caça sobreviventes de naufrágios como animais, pelo mero prazer do esporte. O personagem maluco interpretado por Jake Gyllenhaal em Zodíaco logo reconhece a citação na mensagem codificada, lembrando-se do general Zaroff, pela interpretação de Leslie Banks na adaptação cinematográfica homônima do conto, de 1932, estrelado inclusive pela rainha da selva: Fay Wray. O conto ainda inspirou mais filmes como Bloodlust! com Robert Reed, e o ótimo Battle Royale (antiga paixão), e até outras obras literárias como O Senhor das Moscas de William Golding (eterna paixão) e é um exemplo e tanto como conto de horror. (Leia no original!)

most_dangerous_game560

"Explicando o Sexo" com o prof. Zaroff

Como eu já pretendia passar meu haloween reassistindo Demons de Lamberto Bava, demorei um pouco mais pra caçar The Most Dangerous Game na net. Mas quando assisti, que impacto! Fez com que eu quisesse voltar no tempo pra assistir ele no 31 de Outubro, como merecido. O filme é impecável, o tique de que Leslie Banks criou para o general Zaroff (a coçadinha na cicatriz marcada no crânio por um búfalo) vai me perseguir para sempre. Ultimamente meu cérebro está ou regredindo, ou progredindo, ou as escolhas simplesmente andam sendo boas, porque todos os filmes que assisto da década de 30 parecem melhores que muitos que tenho reassistido dos clássicos que amo dos anos 80, e dos 40, 50, 60. No filme, o cenário da floresta – a mesma utilizada para a ilha da caveira em King Kong – se torna um battlefield e realmente assusta. Sem papas na lingua, com uma hora de duração, o filme consegue paralisar o espectador na cadeira a partir do segundo ou terceiro minuto. O diálogo inicial, onde o náufrago que será personagem (vitima) principal na trama, reconhece na caça “o esporte mais recompensador” – e é retrucado com “não para o jaguar” – coloca a questão do medo em primeiro plano, e nos coloca a partir daí no lado frágil, não do caçador, mas do caçado. A trama se desenvolve basicamente em torno da terrivel sensação de não ter qualquer saída e estar em desvantagem, tal qual o jaguar que, apesar de superior na floresta onde habita, nada pode fazer com suas garras e presas diante de um experiente homem equipado até os dentes com armas de fogo e localizadores. Fotografia impecável, Bela cinematografia, dramatização memorável, trilha de arrebatar qualquer um. Entre qualquer lançamento atual e obras como The Most Dangerous Game, no entanto, não temos como realizar uma comparação em termos de qualidade, visto que isto é isto e aquilo é aquilo, sem precisar dizer mais; o fato mais chocante sempre será ver que JB, por exemplo, custou $16,000,000 pra ser realizado;  Zombieland, $24,733,155; e TMDG, em 1932, com equipamentos pesados e caros, tecnologia nula, efeitos especiais e cenários improvisados? míseros $218,869. E ainda assim, um filme imbatível. Te amo, RKO Radio Pictures, Inc.

P.S.: Talvez o mais legal de JB tenham sido as fotos que vazaram de Megan Fox com os peitos de fora. (Mesmo com aquele adesivo de tampar o bico! >/). E aquela gofada de petróleo!! \m/

Saul Mendez para o Gore Bahia 06/11/2009

1 Comentário

  1. acho que, talvez mais do que oscilar entre quem ele quer atingir, ele oscila em qualidade mesmo. ele vai de algumas gags legais aos ‘cuspes’ aos ‘voos’ – pontos altos pela cara-de-pau -, mas também consegue ser meio patético às vezes, até pela auto-importância que parece se dar. seja como for, quanto mais penso no filme, mais acho-o menos ruim.

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