Santa Claws Chegou [Big Post 2009]

"Então é nataaaaalll" (8)

Natal chegou, blablabla. A idéia agora seria eu fazer uma retrospectiva dos classic monsters da Universal, os quais reassisti pensando justamente nessa opção, mas vou fazer diferente e vou falar sobre dois grandes pilares no prazer de ver um filme oitentista à là Cine Trash revival, quando nossas tardes eram mais divertidas assistindo a Band e sendo ameaçados com pragas sem noção do José Mojica. E é claro que um desses pilares é o Stuart Gordon; o outro é minha grande paixão das produções baratas, Frank Henenlotter. Depois vou emendar com uma breve discussão a respeito de Cronenberg, que aconteceu via Orkut com my friend atualmente soteropolitano Leandro Guimarães, mais um aficcionado do cinema como eu, com a seqüência de postagens disponibilizada aqui a partir de uma indagação crucial cujas considerações minhas quero expor no blog também, sem precisar pra isso de reescrever muita coisa que já escrevi simplesmente adaptando a uma leitura bloguistica. Vai ao natural então, da forma que veio ao mundo, em um ctrl+c/ctrl+v direto. Depois falo um pouco sobre a nova edição nacional da linha Vertigo (HQ), fazendo disto aqui, no final das contas, um grande post misto do Papai Cruel.

Cientistas malucos em Lovecraft/Gordon

Stuart Gordon se posiciona no mundo restrito do cinema de horror como o cara que melhor adaptou a literatura de Lovecraft – com seu jeito canastrão característico, flertando com o cômico, mas, ainda assim, contribuindo com as melhores adaptações já realizadas do contista (uma grande exceção é a história “The Drowned” dirigida por Christophe Gans em Necronomicon, filme de 1993 bem legal à la Creepshow. A história é inspirada no conto “The Rats in the Walls”). Entre as adaptações mais atuais, Stuart Gordon realizou os bons Dagon – La Secta del Mar em 2001 e Dreams in the Witch-House, curta/episódio da estreante série Masters of Horror em 2005. Mas o diretor permanece na lembrança por suas produções onde atua Jeffrey Combs, o nosso eterno Herbert West, RE-ANIMATOR. Em From Beyond, Stuart Gordon alcança um nível de comparação com o próprio clássico The Thing de John Carpenter. Stuart Gordon era, nessa época, sinônimo de splatter, cultuado por uma série de órfãos de Sam Raimi, que só filmou Evil Dead II (praticamente uma refilmagem do primeiro) em 1987. Stuart reinou, enquanto isso, em 85 com Re-animator e em 86 com From Beyond, duas pancadas certeiras e definitivas pra elevá-lo de imediato ao patamar de mestre do gênero. Re-animator é um filme ininterrupto, o roteiro segue uma linha reta brutal e bem direcionada, não existem intermezzos ou meias palavras – é, de ponta a ponta, uma jornada de ciência e bizarrice muito bem escrita para o que pretende ser: um entretenimento de horror cômico e despreocupado, exatamente o que o público do gênero esperava ansiosamente naquela altura dos anos oitenta. From Beyond se supera em uma complexidade maior, onde embora o filme siga uma linha de tempo constante, a impressão de desconhecer o que virá a seguir está sempre presente. O conceito baseado em outros planos de existência visíveis apenas através do estímulo à glândula pineal, nos leva por uma linha de ficção científica onde fatos inesperados geram uma reviravolta complexa digna de romance literário, mudança que não vem brusca como em Onde os Fracos Não Tem Vez dos irmãos Coen (pra citar um exemplo bem cruel nesse quesito), já que aqui não se trata de um artsy movie, mas que igualmente pode causar insatisfação ou estranhamento. O filme possui, assim, duas metades igualmente boas tanto em sua concepção quanto em sua realização. Os efeitos são incríveis, e o uso da cor rosa para as criaturas e ambientação geral do “outro plano”, assim como para as secreções diversas, dá o tom certo característico do splatter “The Blob” que é pura nostalgia para nós.

"Doooorgas mano"

Henenlotter é tipo Deus. É a fusão perfeita entre Lloyd Kaufman e David Cronenberg, sem mais. Tive o (des?)prazer de assistir quatro obras clássicas desse mestre em dois dias de brilhantismo na minha vida. Basket Case (1982), Brain Damage (1988), Frankenhooker (1990) e Bad Biology (2008) mudaram minha vida por completo. O termo “trash” aqui, embora represente a produção pobre independente e as atuações sofríveis de pessoas que parecem ter sido escaladas em um uni-duni-tê no Brooklin, nada tem a ver com a direção inspirada, o roteiro digno e o conceito ou argumento. Henenlotter vê a possibilidade de se narrar uma boa história onde ninguém mais veria sequer uma história – quanto mais, boa – e é feliz no resultado que arrebata muitas vezes pela genialidade, enquanto ao mesmo tempo nos perguntamos “eu realmente estou achando bom ISSO?”. Mais ainda, o que se percebe é que, por trás das câmeras, reside uma pessoa inteligente como poucas, o que traz mais indagações a nosso cérebro, como “Michael Bay e Henenlotter estão em posições trocadas no cenário da cinematografia americana”. Ninguém tem o que merece. Ao mesmo tempo, Henenlotter fica restrito ao vulgarizado termo “trash”, onde sequer Uwe Boll lhe faz companhia (todos os cartazes de filmes do Uwe já estiveram expostos como grande atração das videolocadoras juntamente com outras produções toscas de ação e suspense da alemanha etc., colados nas vitrines onde o cartaz de Bad Biology nunca esteve. Agora tenha a coragem de assistir algum filme desses alemães ou do Uwe; tenha coragem de assistir Alone in the Dark, filme que joga o nome de um ótimo game de horror na mais suja lama). A verdade é que muito do que está atirado ao termo “trash” não chega nem perto de tosqueiras cheias de CGI infame como Gargantua, filme bizarro que passava na Globo (pensa aí!), muito pelo contrário, se sobressaem como verdadeiras obras de entretenimento esperto e até pérolas irregulares carregadas de energia artística. O que é o caso aqui. Basket Case, quando parece engraçado, começa a assustar; onde parece brincadeira, vira caso sério. A situação cômica de um homem que carrega seu irmão siamês deformado em um cesto em busca de vingança dos médicos que os separaram em uma cirurgia não-consentida, confronta realidades de relação consangüínea, puberdade e incapacidade. Quando passamos a perceber que não estamos assistindo a um filme qualquer, nos defrontamos ainda com um flashback primoroso e uma seqüência final onírica interligada à psique e hormônios de uma juventude interditada. Não é preciso mais para definir que Henenlotter não estava brincando, que a piada faz rir, mas faz chorar – e que, em seus filmes, as deformações, os “freaks” e os socialmente excluídos ou minorias psicologicamente oprimidas são tão importantes quanto foram, em certo momento, para Tod Browning. E, como todo mundo lembra, Browning mesmo foi relegado ao rol da lixeira, direto ao “trash can” após seu homônimo Freaks de 1932.

Todo mundo comigo: AAAAAAAHHHH!

Henenlotter prossegue com Brain Damage, onde lida com a relação do usuário de drogas alucinógenas com seu objeto de desejo, o controle e a luta contra o controle, a abstinência; o cérebro aqui é uma simbologia constante para a necessidade de auto-controle, em um filme anti-drogas de forma manifesta que é, ao mesmo tempo, uma obra hermética, lembrando por vezes as afetações de David Lynch em Eraserhead. Frankenhooker é o mais voltado para a comédia, enquanto que é um filme de defesa às mulheres e às minorias femininas que são as maiores vítimas da objetificação em uma sociedade de ideologias implicitamente masculinas; a brincadeira com o romance de Mary Shelley se torna uma crítica interessante, embora um tanto ofuscada pelo clima “kitsch” dos início dos 90 e excessos comerciais, abusando da fama “trash” para atingir o público específico de uma forma mais vendável, o que não diminui a força do discurso. Dessa mesma forma, a segunda metade de Bad Biology é feita basicamente para agradar aos fãs da comicidade em bizarrices mal-feitas avulsas, tornando o que vinha sendo a obra mais marcante de Henenlotter, permeando tabus sexuais, sociedade, objetificação da mulher e efeitos dessa objetificação no comportamento feminino “pós-moderno”, em uma brincadeira sem-graça de uma hora para a outra – o que certamente é o clássico problema da “necessidade”, né, a produtora precisa vender. Assim, temos a obra mais irregular e ao mesmo tempo a mais louca e memorável obra de Henenlotter desde Basket Case.

Nessa relação que fiz de Henenlotter com Cronenberg, está clara a questão do corpo e suas nuances, sociedade e sexualidade, porém mais ainda a relação entre cinema e ciência. Entre o americano e o canadense se compõe um leque teórico amplo, que fomenta o estudo das ciências humanas da mesma forma que um artigo é capaz no meio acadêmico, e até com mais força, pois em sua posição de arte possui uma abrangência ampla e múltipla, fomentando a discussão e gerando reflexões. Mas Cronenberg anda meio perdido entre esse seu cinema de produção intelectual e o cinema como narração de estórias – o que é fundamentalmente a base de todo e qualquer cinema, onde se fomenta ou não conteúdo intelectual e disso independe o ato de contar estórias, isso é indiscutível. Claro que um filme qualquer é capaz de gerar reflexão enquanto também, em um segundo plano, defende, em diversas nuances, um ponto de vista sobre um assunto qualquer. No entanto, alcançar o nível de uma obra estritamente voltada para a reflexão de um assunto específico, e que trabalha conectivamente entre deduções e descobertas à maneira de uma pesquisa científica formal, enquanto ainda assim se sobressai uma ficção envolvente e não um documentário ou um estudo era coisa característica do cinema de Cronenberg. Enquanto uns diretores partiam da narração quase literária com personagens que em seus conflitos nos deixavam entrever bases morais, reflexões agudas sobre a humanidade, os sentimentos etc., Cronenberg partia principalmente do estudo e da reflexão para daí chegar a uma obra ficcional. A diferença, portanto, está no enfoque principal; ou se quer contar uma história legal, ou se quer estudar algo complexo. Claro que podem ser as duas coisas, o que geralmente quando o diretor é bom, acontece (Dead Ringers, por exemplo, é dessa perfeição), mas o pontapé inicial é que define o rumo, o método é que define o produto final. É como optar entre esquerda e direita na hora de chutar um pênalti. E fica explícito qual foi essa primeira opção do diretor, quando assistimos à obra.

Um gênio tentando se (re)encontrar em holywood, ou uma estrela (de)cadente?

No caso de Cronenberg, chutar pra esquerda ou pra direita é certeza de gol, o que ele já tinha provado há muitos anos em M. Butterfly; é o que vem provando até hoje com Spider, A History of Violence e Eastern Promises. Mas como as prioridades dele são agora claramente diferentes, sem dúvida ele anda desperdiçando o melhor que há nele. Em um mundo onde todos chutam bem com a direita, ele se sobressaia chutando muito bem com a esquerda, sendo inclusive um dos únicos a chutar com a esquerda; agora ele quer chutar com a direita. Manda bem, muito bem, mas a pergunta é, “pra quê?” ou “pra quem?”. Aí é como eu digo: “Em terra de cego… Cronenberg quis fechar o olho”. Agora as notícias são coisas como “Cronenberg vai refilmar A Mosca”. Refilmar o próprio filme é um cúmulo que o próprio Sam Raimi, diluído no mundo da riqueza cinematográfica, pensa já em fazer com Evil Dead. Depois do sucesso de A History of Violence, Cronenberg engata com mais um filme de máfia na sequência, o que traz mais dinheiro com a publicidade bem planejada ressaltando “do diretor de… um outro filme muito bom com a mesma temática deste, se você gostou do anterior, certeza que vai querer provar de novo”. Me surpreende ele não querer filmar Mario Puzo, daqui a pouco. Mas não, a outra notícia é que ele vai filmar uma obra de Robert Ludlum, escritor da série Bourne. Os atores? Tom Cruise, Denzel Washington. É meio estranho usar o termo “vendido”, mas é quase isso que quis dizer quando refletia sobre o Cronenberg “antes e depois” com Leandro guimarães no Orkut. Ele ficou chocado ao saber que não me agradava A History of Violence muito além do que agrada um filme bom qualquer – inclusive este, pra mim, não vai nas telas muito além do que já ia a graphic novel, o que demonstra uma espécie de anulação de Cronenberg como autor. Prossegui defendendo que nenhum dos filmes atuais dele passa sequer perto do que se esperaria de um filme dirigido por Cronenberg [chego a pensar, em um surto de teoria da conspiração, que o marco dessa mudança repentina tenha até algo a ver com a presença Middle Earth constante do Viggo Mortensen]. Enfim, vamos aos finais de conversa (ou início do que parece ser ainda uma longa discussão, daquelas bizantinas, sem conclusões certas mas com muito a refletir e declarar):

Leandro:

18 dez

vc foi de uma clareza de argumentação bem forte, mas aí te pergunto o seguinte:

o ‘se esperar de cronenberg’ como artista não entra um pouco na questão de se transformar numa grife? de ter que trabalhar dentro de uma área que, ou o cara é gênio e se reinventa sempre dentro daquilo que ele sabe, ou se repete – e ainda assim agrada?

digo, ainda não vi tudo dele pra falar, mas fiquei com um pouco dessa impressão.

ps: também pensei um pouco em fãs de bandas (geralmente troo), que acham que a banda só presta até a primeira demo – depois se vende, aeuhaeuhea

sei que aí definitivamente não é o caso (vc não tem mais 12 anos e não falamos de bandas troo, embora cronenberg seja um diretor true!), mas foi inevitável a lembrança… ^^

Saul:

19 dez

kkkkkkkkkk verdade,

mas no caso, ele poderia fugir dos temas que costuma falar, da sua “grife”, mas não poderia deixar de fazer “alta costura”, se é que vc me entende…

Por mim ele poderia passar a fazer romances de época, mas existe aí uma diferença entre um Ang Lee e um qualquer que faça “Diário de uma Paixão”, e eu acho que é algo que vai além da técnica. Falando disto ou daquilo outro, verdade é que Cronenberg perdeu personalidade. Talvez com isso ele ganhe em algo também, que a meu ver, podem ser estatuetas e nada mais.

Se ele deixasse de teorizar sobre o corpo e a mente e sua relação com tecnologias etc, e passasse a teorizar sobre alguma coisa qualquer, que fosse a tão-falada sustentabilidade e paixão pelas plantinhas, ainda estaria me dizendo algo, mas os filmes atuais dele não me dizem nada, o que pra mim é coisa de quem perdeu a voz.

Produtoras from hell. Ele tá partindo mais pra se tornar “um diretor para filmes avulsos”, “pau-pra-toda-obra”, em produções super bem feitas e tal, à là Jerry Bruckheimer, Michael Bay style, mas com um roteiro adulto e bons atores. Digno de ganhar estatueta mesmo. Típico filme qualquer que vale a pena assistir pra passar a tarde vendo algo de qualidade, mas que no entanto, de brilhante não tem nada.

Exemplo disso é que, ninguem vai gostar do filme dele como algo especial. Não fica na memória, não difere do resto. Vai ser só uma boa indicação na videolocadora, daquelas q vc nem precisa saber o nome do diretor, o que interessa é que o filme é legal. Duvido encontrar alguém citando como filme preferido “Senhores do Crime” ou “M. Butterfly”, pra piorar. Quem citar, certeza que tem como filme preferido “Crash” (não o de Cronenberg) na lista também, coisas assim, interessantes, legais, bem feitas, mas nada além disso. Cronenberg, coontinuando por esse caminho, tende a se tornar um ilustre desconhecido, e quem sabe a ganhar uma estatueta pelo conjunto da obra (coisa de quem fez alguns filmes bons e depois um moooonte de filme “legalzinho” que arrecada uma boa bilheteria – leia-se, filmes insignificantes).

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E foi isso que aconteceu. Pra quem quiser observar um pouco mais através dos meus olhos, recomendo um bom texto do Dissenso que fala justamente dessa relação “binômio” cinema-ciência em Cronenberg, o que pra mim, como está clara na minha metáfora do pênalti, tem muito a ver com a questão do método, o que por si só já é um tema de estudo dentro dessa parafernália toda.

E quem quiser entrar em discussão de “amadurecimento cinematográfico” depois de tudo, cai fora daqui, porque amadurecimento cinematográfico de cu é rola, não vem com história, tem nem papo. Mais adulto, tratado com seriedade e exigência que todas as obras da longa carreira “alternativa” de Cronenberg, não tem. Cinema “maduro” muito além dessa exigência de qualidade, esmero, inteligência e eficácia é coisa de velho brocha francês, pro que aqui no Gore Bahia não tem lugar nem cabimento!

Conan é passado.

Vou falar agora de HQ. Tinha já um tempo que eu não comprava nada, desde que mangá virou febre, desde que as editoras não respeitam ninguém, alterando e cancelando uma série quando bem entendem e desde que a DC e a MARVEL se tornaram mais cash-cow do que nunca, recheadas de uns artistas modernetes com traços quase vetoriais e colorização computadorizada bem característica – tudo culpa de Spawn, verdade seja dita. A maioria desses artistas quer parecer ou algum desenho animado do tipo “BATMAN animated series” ou mesmo a série animada de Spider-man que foi ao ar entre 1994 a 1998, ou, por fim, a HQ de Spawn. E depois do sucesso do Spiderman de Sam Raimi – Assim como de Batman Begins do Nolan- com a produção de mais e mais adaptações em mente, as duas linhas esqueceram por completo do que faziam antes e entregaram as HQs nas mãos do destino de subproduto do produto “filme” que na verdade, em sua maioria, são uns lixos bem produzidos que fogem do clima da fonte, da ambientação, algo que, pra quem lê e sabe do que eu to falando, é tudo. E eu não tinha mais saco pra tudo isso. Adotei uma série oriental pra acompanhar, o ótimo manga Blade of the Immortal, de Hiroaki Samura, que infelizmente a Conrad parou de editar. Fiquei revoltado com essa coleção incompleta na minha estante e até hoje sou adepto da frase “Conrad, mais respeito por favor!”. Até então, não tinha comprado mais nada além do primeiro volume da edição nacional de Walking Dead (PERFEITO). Aí passo na banca e vejo este nº 1 de uma HQ chamada VERTIGO, composta de diversas séries, naquela estratégia de manter o leitor preso na vontade de comprar o próximo número nem que ele tenha gostado de uma série só. Até porque a certeza é que você VAI gostar de alguma das séries. Tudo é bem planejado, tem coisa para os pré-adolescentes (A Tessalíada, subssérie da linha Sandman Apresenta); “Hellblazer”, Clássico Vertigo sempre querido, para os fãs de sempre; Uma pérola para os/as seguidores de Neil Gaiman, com “Lugar Nenhum”; e para os apreciadores da grande arte, adultos-que-não-são-facilmente-persuadidos-ou-enganados, e avulsos jovens que não trocam seus R$ por ouro-de-tolo, duas séries que são das melhores lá fora, “Vikings” e “Escalpo”. E aí que estas duas últimas são arrebatadoras, e qualquer um que investir o dinheiro do porquinho nessa “revista” vai sair ganhando. A arte e o clima e/ou ambiente delas são inebriantes (e, repetindo, essa ambientação no que trata de HQ, é tudo) e o roteiro é impressionantemente bom, principalmente na série “Escalpo”, uma das mais criativas que já li (ou comecei a ler, na verdade, ansioso no aguardo da continuação) e provavelmente o biscoito mais fino atualmente em matéria de HQ seriada. Hellblazer, no mais, é sempre legal e pros saudosistas é um alívio, pois John Constantine continua o mesmo, sem afetações Keanu Reaveanas. “Lugar Nenhum”, apesar do excesso de computador na arte geral, e de um início meio “quero-parar-de-ler”, se desenvolve bem conforme prossegue e termina por desvendar o que há de melhor em Gaiman, em um roteiro baseado na sua primeira obra literária que antes foi uma série falida de TV e que foi certamente mais uma fonte de inspiração para o The Matrix dos oportunistas irmãos Wachowski, juntamente com milhares de outras inspirações de HQ, inclusive X/1999 das afetadinhas garotinhas japas CLAMP (quem avaliar por alto acha até que é coisa de viadinho, mas eles sugaram de fonte certa – em 2004 elas publicavam a também genial série Gouhou Drug, de traços japas comuns mas argumento único e roteiro curioso, em meio a diversas boiolices de garotinhas juvenis leite-com-pêra). A decepção quadrinística desta revista VERTIGO por fim é apenas a série “A Tessalíada”, da linha “Sandman Apresenta…”. O traço é quase infanto-juvenil, o que não seria de todo ruim, pois as cores não são nem um pouco CG afected, porém o próprio roteiro, texto, enfim, público-alvo, são, digamos, crianças de 10 anos (e olha que com menos de 8 eu li Batman: Ano Um do Miller, então, sei lá). Mas se fosse o caso da revista contar somente com Escalpo e Vikings, já valia o que custa, então de qualquer forma, quem comprar vai sair ganhando e vai passar muitas horas de lazer nerd máximo.

Após este big post, nada me resta a dizer, pelo menos até o próximo ano, quem sabe em algum portal da web, se alguém aceitar minha humilde contribuição artística, em outro bat-horário, em outro bat-canal! Planos, planos, que venha 2010, com muito gore, muita nerdice e muitos prazeres da carne para todos nós.

Jingle Bells,

Saul Mendez para o Gore Bahia, 22/12/2009

2 Comentários

  1. completamente preguiçoso, copiando o que disse no orkut e, pior, novamente sem preocupações com a escrita formatada e revisada. sorry.

    “rpz, vc pegou pesado com jerry bruckheimer/michael bay. cronenberg, agora, acabou de entrar em depressão profunda, hehe

    mas, rpz, vendo crash, a impressão é de que a voz do autor é muito maior do que a do filme, no que fica o lado bom e o ruim – ou o “nem tanto”.

    acho que caracterizar james spader como um cineasta – e o resto como puros seres estranhos, hedonistas e sem preocupação alguma além do prazer – é desnecessário, destoa de todo o resto, formado por personalidades bem rasas, mas absurdamente pessoais ao que se propõem (ou ao que se mostram) – pessoas puramente excêntricas, sem preocupações além disso. cronenberg escolhe uma micro-área do caráter do ser humano e aprofunda de uma maneira doentia – no melhor dos sentidos. daí o destoar de james spader ser algo além da parte específica do prazer. ainda assim, inevitável dizer que muita coisa ali vai ficar indelével, também no melhor dos sentidos – e isso é sempre bom. ”

    ps: boas festas. e muito sangue – na tela.

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  2. Formatar e revisar não é com o gore bahia mesmo! Espero só ter que me preocupar com ABNT na academia hahahaha

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