Na luz ou no escuro, sobre a água ou abaixo.

A safra dos últimos anos – enquanto este espaço do mundo gore ficou escondido, oprimido por uma nação de insanidades politicamente alçadas como primordialmente corretas – trouxe alguns clássicos instantâneos e alguns filmes muito bons que não abordei. O silêncio permeou este pequeno mas nunca humilde local de saúde e beleza. Mas, como aquilo que surge da escuridão ou que emerge repentinamente das águas, o gore está de volta. E há muito para matar, muito para dissecar e fazer sangrar na tela deste tablet onde escrevo, em letras digitalmente mal traçadas.

Eu adoraria estar escrevendo sobre BONE TOMAHAWK, mas fica pra outro momento. Por agora vamos falar de Quando as Luzes se Apagam (Lights Out) e Águas Rasas (The Shallows), dois representantes minimamente relevantes a dar as caras nos lançamentos de cinema no país. Ah, o país! Sempre o país! Um dia ele muda.

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Águas Rasas define um excelente trabalho de direção de Jaume Collet-Serra, diretor do excelente A Órfã (Orphan) e do também legal A Casa de Cera (House of Wax), além de uns filmes de ação aí com um tal de Liam Neeson. O roteiro de Anthony Jaswinski é fenomenal e a preocupação com os aspectos técnicos é literalmente visível. O uso da GoPro e a CG suave usada para mostrar a comunicação digital, além do 3D para adaptar o rosto de Blake Lively à cabeça de sua dublê, saltam aos olhos assim como o cenário e a fotografia exuberante ressaltada pelo trabalho de poderosas câmeras ALEXA com lentes Leica Summilux. Em suma, um deleite do caralho! Sim!

Na história assistimos a um misto de Tubarão do Spielberg com Náufrago do Zemeckis, com uma personagem muito da Lara Croft do reboot de Tomb Raider, e alguma inspiração no “conto estendido” O Velho e o Mar, de Hemingway. Ou seja, tudo pra dar certo. E funciona! Aqui, além do trabalho decente de Blake Lively (que está muito além de Serena Van der Woodsen, aleluia, há tempos e cada vez com mais eficiência), os animais são os personagens de mais força. Temos um zangado tubarão branco com toda a personalidade possível, e um carismático pássaro marinho que acompanha o drama da personagem, estando ele mesmo preso a uma pedra, por estar com a asa quebrada. Momentos geniais de drama e ação nessa história minimalista de cenário menor ainda. Gore? Sim! Lindo de se ver. Altamente recomendado!

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Em Quando as Luzes se Apagam,o diretor David F. Sandberg demonstra todas as trucagens que aprendeu ao longo da realização de seus vários curtas, inclusive o próprio Lights Out que precede o longa-metragem, e já foi escalado para a direção de Anabelle 2, que vai existir (why,oh why). A australiana Teresa Palmer, no papel de final girl, demonstra um pouco de traquejo para uma atriz cuja única aparição em um filme de horror relevante antes desta tenha sido, provavelmente, como enfeite na festa da piscina em Wolf Creek (2005). A garota é bonitinha mas ordinária: tem passagem por porcarias como O Grito 2, Eu Sou o Numero 4, Meu Namorado é um Zumbi e Aprendiz de Feiticeiro da Disney. O filme não surpreende, mas traz uma boa dose de jump scares pra conquistar o publico moderno e é eficiente o bastante – como uma sequência de Premonição costuma ser, e é bem por aí que se monta o negócio. Caso se tratasse de um filme da Universal, uma atração no parque já estaria pronta. Antes eficiente assim, do que ineficiente! Tempos difíceis. A qualidade maior do filme fica, então, em sua premissa que brinca com o medo do escuro, inerente a todos os humanos, o que já se reconhecia bem em seu ótimo curta-metragem.

E agora? Emergir, mergulhar, acender as luzes ou deixar que a escuridão consuma tudo, como uma sala de cinema abandonada?… Supostamente, voltaremos, com sangue e vísceras politicamente liberados!

Saul Mendez para o Gore Bahia, 10/09/2016

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#cinema2017 #horror #terror #rings #ochamado3 #acureforwellness #a_cura O nome que se dá ao medo das sextas-feiras é tão fácil de falar quanto mapear o sentido desse temor: Parascavedecatriafobia.

Muito antes de Jason Vorhees, o dia já causava tensão. Seu nome vem da deusa nórdica da fertilidade, Frigga, cujo culto foi considerado paganismo pelos cristãos. Diz-se que Frigga se reunia com mais onze mulheres para adorar ao diabo, décimo terceiro integrante do conciliábulo. Desde então, o dia de Frigga/Friday/Sexta foi assim nomeado no calendário como o dia das "bruxas". Ainda para os nórdicos, consta que Loki, num banquete em Valhalla, chegou em meio aos doze presentes (sem ter sido convidado) com o plano de matar Baldur, o preferido da galera. Qualquer semelhança com Judas Iscariotes, décimo terceiro em meio aos seus onze colegas apóstolos e Jesus de Nazaré, é mera coincidência.

Antropofagia cultural ou não, tomem muito cuidado com a Parascavedecatriafobia e bom happy hour a todos do GoreBahia!! Arte: Blair Sayer (www.shirtoid.com)

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