Novo Bruxa de Blair: o que esperar e o que não esperar.

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Com o sucesso interminável de filmes que vieram na cola da ideia do primeiro Bruxa de Blair (REC, Cloverfield, além de milhares de produções menores), e o som do dinheiro caindo na conta de produções nessa linha que viraram marca (ATIVIDADE PARANORMAL), o diretor do original, Eduardo Sanchez e seu parceiro Daniel Myrick chegaram pra Lionsgate e colocaram na mesa uma proposta irrecusável: um novo filme para a franquia, um recomeço, injetar sangue novo. O filme veio sendo produzido em segredo, sob a alcunha de “The Woods”, para ser lançado em uma campanha surpresa iniciada na Comic-Con em San Diego, o que deixou todo mundo fervilhando de expectativa. O resultado será visto nos cinemas brasileiros a partir de amanhã. O que esperar? O que não esperar? Veremos.

A história deste novo filme reenquadra sua história à linha temporal do primeiro, sendo o irmão da personagem principal de Blair Witch Project que, desta vez, irá se aventurar pela floresta para encontrar a irmã que ele acredita estar viva após 17 anos. A escolha do diretor e do roteirista (Adam Wingard e Simon Barrett, a eficiente dupla por trás de Você é o Próximo – You’re Next, além de dois curtas em V/H/S , V/H/S 2 e também em ABC da Morte) é exata e planejada para um tiro mortal. No entanto, as críticas que circulam falam de um resultado que ou revigora a franquia ou acaba por demonstrar o quanto os filmes de “found footage” estão desgastados, funcionando como um “canto do cisne”, a última pá de terra do formato.

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A principal crítica é quanto à escolha da dupla de seguir uma rota segura demais: se ater aos moldes estruturais do roteiro do primeiro filme, Blair Witch Project. Para muitos, apesar de acrescentar um ou outro elemento ao universo da história, e talvez até inserir um toque pessoal na produção, o filme parece muito uma refilmagem do original feita para a nova geração. Isso reduziria o efeito geral que o filme deveria proporcionar aos espectadores que já assistiram ao primeiro, o que já vem carregado de todo um problema natural ao formato. Explico: um dos elementos que mais assustava no original é que, na época, o found-footage era algo novo. No tempo em que eu assisti a esse filme, aluguei em VHS e lembro bem do efeito. Um pseudo-documentário (mockumentary) de uma hora para a outra virava uma definição do horror captado em câmeras caseiras. Era como um trem-fantasma. A campanha do filme, é claro, que o vendia como “baseado em fatos reais”, ajudava mais ainda. Hoje em dia essa campanha não funciona, todos conhecem o formato e, portanto, nada é mais tão assustador assim. São críticas compreensíveis.

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Por outro lado, assim como observamos em Pânico 4 (Scream 4), é muito interessante observar o uso de novas tecnologias de vídeo como um diferencial crucial entre um filme e outro, apesar das semelhanças de roteiro. Drones, câmeras de GPS conectadas à orelha e mais uma série de parafernalhas são citadas pelos sites internacionais, enquanto o IMDB ainda não apresenta uma lista exata dos detalhes técnicos do filme. Certamente, o uso desses brinquedinhos são um atrativo moderno e devem agradar bastante, proporcionando novas soluções para o formato.

No mais, é garantido que os últimos 20 minutos do filme são pura adrenalina de arrepiar, o que deve agradar aos puristas e à nova geração, e que, sim, desta vez veremos a cara de Elly Kedward, a famigerada bruxa de Blair, após 17 anos de espera.

 Saul Mendez para o Gore Bahia, 14/09/2016

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