WESTWORLD: Sexo e violência liberados!

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Chegou na HBO a série que pretende agradar todo tipo de público possível. Baseado em um filme de 1973 escrito e dirigido por Michael Crichton – criador de Jurassic Park -, podemos dizer que Westworld (o filme) é um “teste de formato” que funcionou muito bem. Westworld (a série) é uma proposta moderna que está sendo realizada por Jonathan Nolan (irmão de Christopher Nolan, da trilogia de Batman: Cavaleiro das Trevas) e sua esposa Lisa Joy Nolan. Jonathan colaborou com o irmão nos dois últimos filmes do Batman e também em Interestelar, um filmaço de sci-fi pra quem curte. Como se não bastasse, a HBO está dando carta branca pras ideias do casal. O resultado? Com apenas três episódios exibidos, é fantástico.

O FILME

A história de Westworld tem uma premissa simples, mas que dá margem a muitas possibilidades: no futuro, um parque de diversões para adultos foi criado pela empresa DELOS, com atrações de experiência imersiva baseadas na Roma antiga, na era medieval e… no western americano. Os habitantes dessas cidades recriadas são androides quase indiferenciáveis de humanos, com exceção de alguns padrões de funcionamento configurados e das palmas de suas mãos que não foram aperfeiçoadas – elas não possuem qualquer traço de digitais nos dedos ou detalhes de rugosidade da pele.

Nos papéis principais, um jovem James Brolin e seu colega Richard Benjamin visitam o local para curtir férias regadas a toda liberdade que o local permita. E logo essa liberdade se descortina em sexo com androides prontas para satisfazer os rapazes sem qualquer entrave, e na experiência de “matar” sem consequências aguardando apenas o apertar de um gatilho.

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Michael Crichton, em seu tempo, conseguiu criar um formato ótimo onde a tecnologia se volta contra os humanos drasticamente, o que se repetiu da mesma forma mas em formatos colossais com Jurassic Park. No filme, os cenários naturais são belos e a fotografia, por vezes, impressiona. Como o androide assassino, Yul Brynner interpreta uma versão robótica de seu mesmo personagem no filme Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, 1960 – recentemente refilmado por Antoine Fuqua), e convence com sua atuação minimalista e de poucas expressões. Inclusive, assusta! Infelizmente, o ator morreria alguns anos após, interpretando novamente o androide em sua última atuação na história do cinema: na malsucedida continuação Futureworld (1976), que não tinha mais nada a ver com Michael Crichton, nem no roteiro e nem na direção. Westworld, por sua vez, é um filme altamente recomendável, que ainda carrega o marco de ser o primeiro filme a utilizar computação gráfica a ir para as telonas (nas cenas em que vemos a câmera subjetiva da visão do androide).

A SÉRIE

De maneira muito audaciosa, Lisa Joy e Jonathan Nolan focam nos androides – e aqui a tecnologia é muito mais avançada do que na Westworld de Crichton. A inteligência artificial está à beira de ser alcançada e desta vez é impossível diferenciar humanos de androides. As cenas são cruas ao revelar uma “vida” onde os androides tem suas memórias reprogramadas ao dormir, para acordar reabilitados a atuar novamente com base em suas definições de personalidade e encarar os interesses doentios de “humanos” que visitam o local para expurgar seus desejos. Os dramas e sofrimentos de cada um deles é repetido à exaustão, dia após dia, e observamos aos poucos que estes androides começam a perceber falhas em suas vidas e estão cada vez mais próximos da verdade que os assola. É o mesmo discurso da tecnologia que se volta contra os humanos, mas a perspectiva aqui injeta um toque crucial de Isaac Asimov ao considerar a inteligência artificial e a possibilidade de sentimento por parte das máquinas; além disso, ao expor as crueldades e maquinações da empresa que controla e observa tudo, o dia a dia e a forma de pensar de seus funcionários, além dos abusos sexuais e violentos perpetrados pelos visitantes, cria-se aqui a fantasia perfeita de dominação, uma crítica à sociedade atual, e abre-se um grande leque de temas a serem discutidos. A gama de personagens vai aumentando (inclusive temos o Rodrigo Santoro como um dos androides da série, mandando muito bem) e os dramas vão se cruzando de forma muito organizada. Nada aqui está fora do lugar, e todos os personagens possuem um carisma sem igual.

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Anthony Hopkins interpreta o “criador”, um “Victor Frankenstein” que tem especial apreço por suas criações e procura, cada vez mais, fazer com que elas alcancem a humanidade, indo de encontro com os objetivos lucrativos da empresa. Ainda no primeiro episódio, o bicho pega. Muitas coisas começam a dar errado no parque após a ultima atualização instalada em algumas das “máquinas”. E Anthony Hopkins não poderia agir com menos calma do que Hannibal Lecter apreciando um bom fígado o vinho.

Somando ao entretenimento, a fotografia (utilizando lentes Canon K35 e filmado em negativo de 35mm) é simplesmente perfeita; a direção de arte, maquiagem, figurino, computação gráfica e demais detalhes visuais surpreendem os olhos, e a qualidade da edição de som acompanha o conjunto muito bem. É um espetáculo de série em que a HBO já começa investindo pesado, enquanto todos se preparam para o fim de Game of Thrones

E, se o sexo e a violência estão liberados no parque, não poderia ser diferente nas telas. O que havia de resguardo no filme de Crichton, aqui se permite ser visto. Como diria Pinhead em Hellraiser, “We have such sights to show you… (Nós temos cada paisagem pra te mostrar…)”, e ainda, neste caso – como dizia a tag clássica do filme de 73 – “Boy, have we got a vacation for you… (Cara, nós temos umas férias para você…). Faça um passeio por Westworld, um parque de diversões altamente recomendado!

Saul Mendez Filho para o Gore Bahia, 21/10/2016

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